Continuando com histórias de um investidor, veja como foi meu início no mundo das opções. Depois do primeiro trade com derivativos, não queria mais saber de operar com ações. Eu acreditava que a única maneira de ficar rico era com trades de 5 a 10% ao dia e não ao mês como as ações costumavam apresentar.
Passei a estudar sobre opções, seus conceitos, suas estratégias e a que mais me prendeu atenção foi sobre a trava de baixa. Sempre fiz simulações com os spreads e comprei um livro de Octavio Bessada sobre derivativos, estava mesmo empenhado em focar meus trades com derivativos.
E minhas estratégias eram basicamente, montar uma trava de baixa quando a ação da Telemar (na época, era a opção que apresentava liquidez) passava por um bom período de alta ou quando estava próximo de resistência, através da análise técnica.
Tudo seguia, como nos conformes. Traçava as estratégias, acompanhava o mercado pelo Home Broker. Comprava uma parte da trava e para vender a outra parte a descoberto, ligava para mesa de operações e concluia a operação. Passava a acompanhar com relativa tranquilidade pelo Home Broker. A cobrança de margem pela trava era rigorosa, o operador de mesa só vendia a opção descoberto se fosse para montar uma operação travada. Com essas condições eu tinha um gerenciamento de risco, mesmo sem conhecer seus conceitos e importância.
Fui obtendo melhores ganhos e apesar de algumas perdas, elas ocorriam de forma limitada. Cada mês que passava, o resultado estava bastante favorável e apresentando certa consistencia nos lucros.
Sempre fui autodidata e minha confiança no mercado estava voltando. Até que fui apresentado por um corretor, me oferecendo uma plataforma operacional chamada e-broker. Pelo sistema, poderia alavancar em até 10 vezes o meu capital para day-trade, poderia vender opção a descoberto diretamente pela plataforma, a ordem era executada em 0,4 segundos, gráficos com atualizaão em tempo-real entre outras tantas vantagens.
Nem precisou me convencer, no mesmo dia preenchi o cadastro da corretora e na mesma semana já estava com o dinheiro na nova corretora, operando pelo TROM. Quanta diferença para um HB!! Cotações mais acelerada, diversas janelas apresentando livro de ofertas de várias séries de opções, as informações eram bem mais aceleradas.
Poderia vender facilmente as opções a descoberto, apenas um clique a ordem já estava executada. Aquele velho hábito de operar por um home broker, foi substituido pela velocidade e agressividade de um e-broker.
Foi como se desse pra mim, a chave de uma Ferrari quando ainda estava aprendendo a dirigir. Se eu fosse aproveitar todo o potencial que a Ferrari oferece, qual poderia ser o resultado?
Foi mais ou menos, o que aconteceu comigo. Alta alavancagem, pouco controle de risco, posições em venda a descoberto, day-trade a todo instante. E começaram a vim resultados negativos. A confiança começa a abalar, as emoções começam a misturar com o investimento e aquela estratégia nunca era levada de acordo com o planejamento.
O desastre estava pronto. Perdi todo o lucro e parte do meu capital inicial. Tive que me afastar um pouco do e-broker, voltar a estudar mais, conhecer melhor os modelos de gestão de risco e gerenciamento de dinheiro.
É incrível, como os menores detalhes pode gerar perdas inesperadas para um investidor. Quando as emoções começam a interferir nos investimentos então.

